O tiro vai sair pela culatra, diz Frei David sobre Estatuto

19 de junho de 2010

Redação – Fonte: Afropress – 17/6/2010

O tiro vai sair pela culatra, diz Frei David sobre Estatuto S. Paulo – O diretor Executivo da Rede Educafro – a mais importante rede de cursinhos pré-vestibulares para negros do país – Frei David Raimundo dos Santos, disse, ao comentar pela primeira vez, a aprovação, na véspera, do Estatuto da Igualdade Racial, que os senadores fizeram a pior escolha ao optarem pela a versão proposta pelo senador Demóstenes Torres, do Partido Democratas, de Goiás. “Para a nossa tristeza, optaram pela pior redação, a opção imposta pelo herdeiro do colonialismo Demóstenes Torres. Aproveitaram-se do momento em que o Brasil está com todas as atenções voltadas para a Copa do Mundo da África para que o Demóstenes pudesse mostrar os seus compromissos com os herdeiros do colonialismo”, afirmou Frei David. A votação aconteceu por acordo entre os Partidos na tarde desta quarta-feira (16/06), com a exclusão de pontos considerados essenciais para a população negra como a questão das cotas, a supressão de artigos que tratavam da saúde, do acesso ao mercado de trabalho, aos meios de comunicação e com a rejeição – por Demóstenes – do reconhecimento dos efeitos da escravidão e da existência de uma identidade negra no país. Depois da votação, o ministro Elói Ferreira, o ex-Edson Santos, Paim e todo o staff da SEPPIR, que ignoraram o apelo de mais de 120 entidades pela retirada do projeto da pauta, foram ao gabinete do presidente do Senado, José Sarney, para agradecer o “empenho do senador” e tirar fotos celebrando a “vitória”. Sem liberdade Frei David, no entanto, ao contrário de lideranças negras que responsabilizam a SEPPIR e o senador Paulo Paim (PT-RS) pelo acordo com Demóstenes, preferiu isentar o atual ministro e o ex, Edson Santos, patrocinadores da iniciativa. “Tenho certeza de que os nossos irmãos negros que lutaram a favor não tiverem essa liberdade para escolher. Estiveram o tempo todo com a faca no pescoço e diante do seguinte dilema: é melhor um passarinho na mão do que dois voando”, acrescentou. Segundo Frei David, tanto Elói, quanto Paim se tivessem chance e poder político teriam escolhido outra redação. “Na manhã da votação do Estatuto os senadores tinham três possibilidades: a primeira, era serem coerentes com eles mesmos e trazerem de volta a redação votada em 2004; a segunda, poderiam ter escolhido a redação votada na Câmara dos Deputados, que já não era a melhor, mas ainda assim teria sido preferível. Mas, para a nossa tristeza, optaram pela pior redação”, frisou. Na sua avaliação, a SEPPIR ficou sem opção. “Tenho certeza que a SEPPIR, o senador Paim, não tiveram outra opção. Foi a pior e a única opção que deram a eles. Ficaram na situação de escolher e escolheram: melhor um passarinho na mão do que dois voando”, insistiu. O religioso considerou ainda justificável a posição assumida pelo ministro Elói Ferreira. “É compreensível. Eles estão em final de mandato e é normal que quem tem o poder na mão tem de mostrar trabalho”. Ampliar a indignação Apesar da derrota, que para ele, acabou “revelando o nível de poder político acumulado pelo povo negro”, Frei David se mostra otimista e afirmou que está confiante de que haverá “um aumento da consciência política do negro”. “É preciso aproveitar o momento Obama, e a própria votação desse Estatuto para aumentar a consciência política. Segundo o Frei, é preciso que todos os que estão insatisfeitos aproveitem o momento para aumentar a indignação do povo negro. “Com isso vai acontecer, o que o senador Demóstenes Torres mais tem medo: que o debate nacional sobre a exclusão do negro tome cada vez mais corpo. O tiro vai sair pela culatra”, concluiu.

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Assine a petição para os quilombos

27 de maio de 2010

Está para ser julgada no Supremo Tribunal Federal brasileiro a Ação Direta de Inconstitucionalidade 3239, de relatoria do Ministro Cezar Peluso. Nessa ação, proposta em 2004 pelo antigo partido da Frente Liberal(PFL), atualmente denominado como Democratas (DEM), questiona-se o conteúdo do Decreto Federal 4887/2003 que regula a atuação da administração pública para efetivação do direito territorial étnico das comunidades de remanescentes de quilombo no Brasil.
Dados os desafios que o tema põe aos avanços no domínio do aprofundamento da democracia e da justiça histórica que a sociedade brasileira experimentou na última década, tomei a iniciativa de submeter à consideração pública esta abaixo-assinado a enviar a Sua Excelência o Presidente do STF.

Boaventura de Sousa Santos
Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Distinguished Legal Scholar da Universidade de Wisconsin-Madison
Global Legal Scholar da Universidade de Warwick

Leia na integra e assine por favor:
http://www.petitiononline.com/quilombo/petition.html

A Devoção a Nossa Senhora na Mistica FranciscoClariana

17 de maio de 2010

Paz e bem,

É de conhecimento de todos os irmãos da grande estima e devoção que São Francisco tinha por Nossa Senhora, porém como temos visto em poucos lugares, escritos falando sobre a devoção que Santa Clara também nutria a Nossa Senhora,  resolvi a pedido dos irmãos de minha fraternidade, separar alguns textos escritos por Santa Clara e  descobri que enquanto São Francisco faz 9 alusões a Nossa Senhora em seus escritos, Santa Clara faz 14 alusões, que embora breves.

Ela parece querer sublinhar mais os aspectos femininos da Mãe de Deus. Mas sua maneira de ver é a mesma de Francisco: Nossa Senhora nunca é chamada de “nossa Mãe”. Ela é sempre a “Mãe de Jesus Cristo” e, com ela nós devemos ser pobres e ser mães de Cristo que nasce e cresce em nós mesmos e nos outros:

3ª carta de Santa Clara a Inês de praga

Tal como a Virgem das virgens. O trouxe materialmente no seu seio, assim também tu O podes trazer, sem dúvida alguma de maneira espiritual, no teu corpo casto e virginal, seguindo as suas pegadas, sobre tudo a sua humildade e pobreza  Desta maneira poderás conter Aquele que a ti e a todas as criaturas contém e possuir plenamente o bem mais precioso, comparado com as riquezas transitórias deste mundo.  Muitos reis e rainhas deste mundo deixam -se enganar. Pensam que podem conquistar o Céu com o seu orgulho. No fim acabam reduzidos à podridão.

Carta de Santa Clara a Ermentrudis De Bruges

Ama de todo o coração a Deus e a Jesus Cristo seu Filho crucificado por causa dos nossos pecados, e que a sua memória jamais se apague no teu espírito.
Medita sempre o mistério do Calvário e os sofrimentos da Mãe ao pé da Cruz. Ora e vigia sempre. Leva a cabo com persistência a obra começada e cumpre, em santa pobreza e sincera humildade, o ministério que assumiste. Nada temas, querida filha. Deus é fiel em todas as suas palavras e obras e derramará as suas bênçãos sobre ti e tuas filhas. Ele será o teu auxílio e a melhor consolação. Ele é o nosso redentor e a nossa recompensa.

Testamento de Santa Clara

Por esta razão dobro os joelhos diante do Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 3, 14), invocando os méritos da gloriosa Virgem Santa Maria, sua mãe, do nosso beatíssimo Pai Francisco e de todos os santos e peço ao próprio Senhor que nos deu tão bom princípio, nos dê o incremento (cf. 1 Cor 3, 6-7) e também a perseverança até ao fim. Amém.

Oração à Santa Virgem Maria Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós, filha e serva do Altíssimo rei e pai celestial. Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo rogai por nós com São Miguel Arcanjo e todas as virtudes do céu, e todos os Santos junto à vosso Santíssimo e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre.

Amém. (São Francisco)

A PASTORAL NO MUNDO DIGITAL

17 de maio de 2010
A mensagem de que Jesus ressuscitou dentre os mortos depois de entregar sua vida por amor a toda a humanidade é a primeira “boa notícia” que os discípulos são chamados a anunciar pelo mundo afora, conforme nos afirma o evangelho deste domingo da Ascensão.
No entanto, o anúncio pascal não se limita a proclamar que Jesus está vivo na história. Espera também que cada pessoa se abra ao seu Espírito para acolher e vivenciar os valores do reino, entre os quais o amor, o perdão, a justiça, a fraternidade, a partilha e o respeito às pessoas.
No decorrer dos séculos, a Igreja preocupou-se em levar a mensagem de Jesus a todos os povos e de todos os modos possíveis. Nas últimas décadas, com o avanço das tecnologias, os meios de comunicação passaram a ser um campo urgente e desafiador, pois cada vez mais são decisivos na formação da cultura em que vivemos.
Consciente dessa realidade e tendo presente o Ano Sacerdotal, Bento XVI publicou a mensagem para o dia mundial das comunicações, que hoje celebramos à luz do tema: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios de comunicação a serviço da palavra”. O papa pede que os sacerdotes não percam a oportunidade de usar as novidades das tecnologias da comunicação, de modo especial a internet, para reunir o povo de Deus e tornar Cristo vivo e atual em nossa realidade.
Evidentemente, o compromisso com a evangelização é também de todos os cristãos. Com base em sua experiência pessoal do Ressuscitado, cada um é chamado a levar a boa notícia ao “continente digital” onde, diariamente, milhões de pessoas buscam, entre outras coisas, contatos, informações, conteúdos e entretenimento. Que por meio das redes digitais possamos construir uma sociedade justa, solidária e edificada nos valores cristãos, que repercutam em todas as relações humanas.
Pe. Valdir José de Castro, ssp
TEXTO PUBLICADO NO FOLHETO “O DOMINGO”  DE HOJE.

Luzes pela Vida

16 de maio de 2010

27ª Vigília Pelos Mortos de Aids – 3° Domingo de Maio

A Aids existe e continua sendo um desafio para todos. No Brasil, cerca de 630 mil pessoas vivem com HIV, 544.846 desenvolveram a doença e 217.091 já morreram em consequência da Aids.
Somos todos vulneráveis, portanto co-responsáveis no controle deste vírus.

A Vigília pelos Mortos de Aids quer:
Chamar a atenção para a realidade da epidemia;
Sensibilizar para o compromisso de buscarmos respostas a este problema que atinge a todos;
Convocar para uma ação de amor e compaixão, especialmente junto a quem é mais vulnerável;
Defender os direitos humanos e a dignidade das pessoas.

A qualidade de vida passa pela garantia dos direitos.

Oração pela Vida!

Senhor, fonte da vida e da esperança.
Estamos diante de Ti como criaturas frágeis e necessitadas.
Tu que amas tudo o que existe,
acolhe-nos em teu coração.
Recebe os que faleceram com Aids.
Confiantes em tua promessa,
cremos que a morte não é o fim!
Torna-nos defensores da vida,
perseverantes na luta,
solidários no sofrimento.
Livra-nos da discriminação,
liberta-nos do preconceito.
Sejamos acolhedores e misericordiosos,
conforme Tua vontade. Amém.

Carta a toda a ordem – São Francisco de Assis

14 de maio de 2010


1. Em nome da suma Trindade e da santa Unidade, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
2. A todos os reverendos e muito amados frades: a Frei .A., ministro geral da religião dos frades menores, seu senhor, e aos outros ministros gerais, que serão depois dele; e a todos os ministros e custódios e sacerdotes da mesma fraternidade, humildes em Cristo, e a todos os frades simples e obedientes, primeiros e últimos.

3. Frei Francisco, homem vil e caduco, vosso pequenino servozinho, [deseja] saúde naquele que nos remiu e lavou em seu precioso sangue (cfr. Ap 1,5),

4. cujo nome, ao ouví-lo, adorai-o com temor e reverência inclinados para a terra (cfr. 2Esdr 8,6), o Senhor Jesus Cristo, cujo nome é Filho do Altíssimo (cfr. Lc 1,32), que é bendito pelos séculos (Rm 1,25).
5. Ouvi, senhores filhos e irmãos meus, e percebei com os ouvidos as minhas palavras (At 2,14).
6. Inclinai o ouvido (Is 55,3) de vosso coração e obedecei à voz do Filho de Deus.
7. Guardai em todo o vosso coração seus mandamentos e cumpri perfeitamente seus conselhos.
8. Confessai-o porque é bom (Ps 135,1) e exaltai-o em vossas obras (Tb 13,6);
9. porque por isso vos enviou (cfr. Tb 13, 4) ao mundo inteiro, para que por palavra e por obra deis testemunho de sua voz e façais saber a todos que não há onipotente senão Ele (cf Tob 13,4).
10. Perseverai na disciplina e na obediência santa (Hb 12,7) e o que prometestes com bom e firme propósito, cumpri-o.

11. O Senhor Deus se oferece a nós como a filhos (Hb 12, 7).
12. Por isso, rogo a todos vós, irmãos, com o beijo dos pés e com a caridade que posso, que manifesteis toda reverência e toda honra, tanto quanto puderdes, ao santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo.

13. em quem as coisas que estão no céu e as que há na terra foram pacificadas e reconciliadas com o Deus onipotente (cfr. Cl 1,20).

14. Rogo também no Senhor a todos os meus irmãos sacerdotes, os que são e serão e desejam ser sacerdotes do Altíssimo, que todas as vezes que quiserem celebrar a missa, puros com pureza façam com reverência o verdadeiro sacrifício do santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo, com intenção santa e limpa, não por alguma coisa terrena nem por temor ou amor de alguma pessoa, como para agradar aos homens (cfr. Ef 6,6; Cl 3,22);

15. mas que toda a vontade, quanto ajuda a graça, seja dirigida a Deus, desejando agradar só ao próprio sumo Senhor, porque ali é Ele sozinho que age, como lhe agrada;
16. porque, como Ele mesmo diz: Fazei isto em minha comemoração (Lc 22,19; 1Cor 11,24), se alguém o fizer de outra maneira, converte-se em Judas, o traidor, e se torna réu do corpo e do sangue do Senhor (cfr. 1Cor 11,27).

17. Recordai, meus irmãos sacerdotes, o que está escrito na lei de Moisés, cujo transgressor, mesmo em coisas corporais, morria sem misericórdia alguma por sentença do Senhor (cfr. Hb l0,28).
18. Quanto maiores e piores suplícios merece padecer quem conculcar o Filho de Deus e julgar poluído o sangue da aliança, em que foi santificado, e fizer um ultraje ao espírito da graça (Hb 10,29).
19. Pois o homem despreza, polui e conculca o Cordeiro de Deus quando, como diz o Apóstolo, não distinguindo (1Cor 11,29) nem discernindo o santo pão de Cristo dos outros alimentos e obras, ou come-o sendo indigno ou mesmo, se fosse digno come-o de maneira vã e indigna,, quando o Senhor disse pelo profeta: Maldito o homem que faz a obra do Senhor fraudulentamente (cfr. Jr 48,10).
20. E na verdade condena os sacerdotes que não querem por isso sobre seu coração, dizendo: Amaldiçoarei vossas benções (Ml 2,2).

21. Ouvi, irmãos meus: Se a bem-aventurada Virgem é assim honrada, como é digno, porque o carregou em seu santíssimo útero; se o Batista bem-aventurado estremeceu e não ousa tocar a santa cabeça de Deus; se o sepulcro em que esteve por algum tempo é venerado,
22. como deve ser santo, justo e digno quem toca com as mãos, toma com o coração e com a boca e dá aos outros para tomar, aquele que já não há de morrer, mais vai viver para sempre é glorificado, em quem os anjos querem olhar (1Pd 1,12)!

23. Vede vossa dignidade, irmãos (cfr. 1Cor 1,26) sacerdotes, e sede santos, porque Ele é santo (cfr. Lv 19,2).

24. E assim como o Senhor Deus os honrou acima de todos por causa desse ministério, assim também vós amai-o, reverenciai-o e honrai-o sobre todos.

25. Grande miséria e miserável debilidade, quando o tendes tão presente e vós buscais alguma outra coisa em todo o mundo.

26. Pasme o homem inteiro, estremeça todo o mundo e exulte o céu quando, sobre o altar, na mão do sacerdote, está Cristo, Filho do Deus vivo (Jo 11,27);

26. Ó admirável alteza e estupenda condescendência! Ó humildade sublime! Ó sublimidade humilde, pois o Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, de tal maneira se humilha que, por nossa salvação, se esconde sob uma pequena forma de pão!

28. Vede, irmãos, a humildade de Deus e derramai diante dele os vossos corações (Sl 61,9); humilhai-vos também vós, para serdes exaltados por Ele (cfr. 1Pd 5,6; Tg 4,10).
29. Por isso não retenhais nada de vós para vós mesmos, para que vos receba inteiros aquele que a vós se dá inteiro.


30. Admoesto, por isso, e exorto no Senhor, que nos lugares em que os frades moram celebre-se apenas uma missa no dia, segundo a forma da santa Igreja.
31. Mas se houver vários sacerdotes no lugar, fique contente cada um, por amor da caridade, de ouvir a celebração de outro sacerdote.

32. Porque o Senhor Jesus Cristo preenche os presentes e os ausentes que são dignos dele.
33. O qual, embora se veja que está em vários lugares, todavia permanece indivisível e não conhece detrimento algum, mas, sendo um em toda parte, age, como lhe agrada, com o Senhor Deus pai e o Espírito Santo Paráclito nos séculos dos séculos. Amém.
34. E porque aquele que é de Deus ouve as palavras de Deus (cfr. Jo 8,47), por isso devemos nós, que mais especialmente estamos dedicados aos ofícios divinos, não só ouvir e fazer o que Deus diz mas também guardar os vasos e as outras coisas oficiais que contêm suas santas palavras, para insinuar em nós a alteza de nosso Criador e nossa submissão a Ele.

35. Por isso admoesto a todos os meus frades e os conforto em Cristo para que, onde quer que encontrarem palavras divinas escritas, venerem como puderem

36. e, no que diz respeito a eles, se elas não estiverem bem colocadas ou estiverem indecorosamente espalhadas em algum lugar, que as recolham e guardem, honrando ao Senhor nas palavras que disse (3Rs 2,4).

37. Pois muitas coisas se santificam pelas palavras de Deus (cfr. 1Tm 4,5), e em virtude das palavras de Cristo realiza-se o sacramento do altar.

38. Confesso, além disso, ao Senhor Deus Pai e Filho e Espírito Santo, à bem-aventurada Maria, Virgem perpétua, e a todos os santos no céu e na terra, a Frei H., ministro de nossa religião, como a venerável senhor meu, e aos sacerdotes de nossa Ordem e a todos os outros meus frades benditos todos os meus pecados.

39. Em muitas coisas ofendi por minha grande culpa, especialmente porque não guardei a regra, que prometi ao Senhor, nem disse o ofício, como a regra prescreve, ou por negligência ou por ocasião de minha enfermidade, ou porque sou ignorante e iletrado.

40. E por isso, por causa de todas essas coisas, rogo, como posso, a Frei H., meu senhor ministro geral, que faça com que a regra seja observada inviolavelmente por todos;
41. e que os clérigos digam o ofício com devoção na presença de Deus, não atendendo à melodia da voz mas à consonância da mente, de forma que a voz concorde com a mente, e a mente concorde com Deus,
42. para que possam pela pureza do coração aplacar a Deus e não recrear os ouvidos do povo pela sensualidade da voz.

43. Pois eu prometo guardar firmemente essas coisas, como Deus me der a graça; e transmitirei aos frades, que estão comigo, essas coisas, para que sejam observadas no ofício e nas outras constituições regulares.

44. mas quaisquer dos frades que não quiserem observar estas coisas, não os tenho como católicos nem como frades meus; também não os quero ver nem falar com eles, até que façam penitência.
45. Também digo isso de todos os outros que andam vagando, deixando de lado a disciplina da Regra;
46. porque nosso Senhor Jesus Cristo deu sua vida para não perder a obediência de seu santíssimo Pai (cfr. Fl 2,8).

47. Eu, Frei Francisco, homem inútil e indigna criatura do Senhor Deus, digo pelo Senhor Jesus Cristo a Frei H., ministro de toda a nossa religião, e a todos os ministros gerais, que o serão depois dele, e aos demais custódios e guardiães dos frades, que o são e serão, que tenham consigo este escrito, ponham-no em prática e o guardem cuidadosamente.

48. E lhes suplico que, o que nele está escrito, guardem-no solicitamente e o façam observar mais diligentemente, segundo o beneplácito de Deus onipotente, agora e sempre, enquanto existir este mundo.
49. Abençoados sejais pelo Senhor (Sl 113,13) os que fizerdes estas coisas, e o Senhor esteja convosco eternamente. Amém.

[Oração]
50. Onipotente, eterno, justo e misericordioso Deus, dá a nós, miseráveis, fazer, por ti mesmo, o que sabemos que tu queres, e sempre querer o que te apraz,

51. para que, interiormente purificados, interiormente iluminados, e acesos no fogo do santo espírito, possamos seguir os vestígios de teu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo,
52. e chegar só por tua graça a ti, Altíssimo, que na Trindade perfeita e na Unidade simples vives e reinas e és glorificado, Deus onipotente, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Às ordens de São Francisco

14 de maio de 2010

Sabemos que nossa Ordem surgiu no século XIII, pelo desejo manifestado por Francisco de incluir os leigos entre os seus seguidores (I Fiorette 1,16); em Tomás de Celano 1, 15, vemos como o povo gostava de estar junto de Francisco e servi-lo, pela adesão o Luquésio de Poggibonzi e sua esposa Buonadonna; também na Legenda dos Três Companheiros (14,60), lê-se que os leigos “dedicavam-se a uma penitência muito generosa em suas casas”. Francisco deu uma espécie de Regra a este grupo de seguidores, a assim chamada “Carta dos Fiéis”.

Provavelmente, foi em Greccio o lugar onde a Terceira Ordem de São Francisco nasceu. Certa vez, Francisco declarou: “Entre as cidades grandes não muitas se converteram à penitência como Greccio. E o relato depois continua: “Pois muitas vezes, quando os irmãos de Greccio cantavam o louvor de Deus, assim como costumavam fazer em muitos lugares, então o povo da cidade, grandes e pequenos, saíam de suas casas e se juntavam no caminho fora do lugar e respondiam em alta voz aos irmãos: “Seja louvado o Senhor, nosso Deus!” Até mesmo crianças pequenas, que mal sabiam falar, louvavam a Deus tanto quanto podiam, cada vez que encontravam os irmãos”. (LegPer 74). Logo, tratava-se, na Terceira Ordem, de convertidos que voltavam a praticar a sua fé e a contar com Deus na sua vida diária. Reconhecendo a Deus, deram testemunho que Ele era o Senhor de suas vidas, adorando e honrando-o “em suas casas”. Isto é a expressão sempre repetida que se dava à forma original desta Ordem. Em outras palavras, tratava-se de pessoas que procuravam viver a sua fé nas suas famílias, nas suas profissões e através de seus afazeres dentro da sociedade.

Muitos autores ao falarem do século XIII, relataram que a partir de 1207 Francisco foi um penitente, até 1209, quando fundou a Ordem Primeira, sendo que ele com seus confrades se tornaram “pregadores itinerantes”.

A maior parte dos penitentes passou a seguir sua espiritualidade, difundida por seus confrades, e se tornaram então “ Penitentes de São Francisco”, embora nos documentos oficiais continuassem chamados “irmãos e irmã da penitencia”.

Somente depois da morte de Francisco se fala “da Ordem Terceira de São Francisco”. Francisco é considerado o fundador da Ordem Terceira porque muitos jovens, homens e mulheres casados seguiram fielmente a espiritualidade franciscana e deram a origem à “ Ordem dos irmãos e irmãs da penitencia de São Francisco”.

Ordem dos frades menores – primeira ordem

Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3).

Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: “É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!” E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: “Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”!

Começam, então, a surgir os primeiros seguidores e companheiros. Eram seus amigos de juventude; amigos das festas. Eles estavam cismados com a mudança radical que Francisco deu à sua vida. Agora só cuidava de leprosos, de pobres, dava tudo o que recebia e vivia nas grutas em oração. Não queria saber de dinheiro e nem da vida cômoda que sua família lhe oferecia. Assim, foram se aproximando de Francisco e passaram a viver como ele. Os primeiros companheiros foram: Bernardo de Quintavalle, Pedro Cattani, irmão Egídio, Filipe (Longo). Logo partem em missão para várias regiões da Itália, onde pregam o Evangelho a todos os que encontram pelos caminhos.

Após a conversão, pouco a pouco, ao redor de Francisco se forma um grupo disposto a viver toda essa experiência de comunhão com o mistério de Deus que se lhe revelava. Jovens de Assis, na Itália, vão pelo mundo afora como andarilhos, mas vivendo a experiência de fraternidade. Tudo e todos passam a ser sentidos como irmãos e irmãs, pois o frade não é mais senhor de nada e de ninguém. A Ordem Franciscana foi criada como uma Ordem de Irmãos, que assumiam a missão de viver e pregar o Evangelho. Não era uma Ordem Clerical (Ordem composta por sacerdotes), como outras que já existiam. O próprio Francisco não quis ser sacerdote e os primeiros frades também não tinham esse objetivo.

Clarissas – segunda ordem franciscana

Francisco, além de fundar a 1ª Ordem Franciscana (masculina), foi também o fundador da 2ª Ordem Franciscana, conhecida também por Ordem de Santa Clara, abrindo assim a vivência do ideal franciscano para o ramo feminino. A primeira religiosa franciscana foi a jovem Clara Offreduccio, mais tarde chamada de Santa Clara de Assis, jovem de família nobre e admiradora de Francisco desde que o conhecera como “Rei da Juventude” pelas ruas e festas de Assis. Passou a admirá-lo mais ainda, quando se tornou um inflamado pregador da alegria e da paz, da pobreza e do amor de Deus, não só através de palavras, mas com o exemplo de sua própria vida.

Era isso precisamente o que almejava a jovem Clara. Não estava satisfeita com os esplendores do palácio de sua família. Sonhava com uma vida mais cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade e realização. O estilo de vida dos frades a atraía cada vez mais.

Depois de muitas conversas com Francisco, aos 18 de março de 1212 (Domingo de Ramos), saiu de casa sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga, e foi procurar Francisco na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, onde ele e seus companheiros já a aguardavam.

Frente ao altar, Francisco cortou-lhe os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que a donzela Clara fizera a sua consagração como Esposa de Cristo. Nem a ira dos seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder em seu propósito. Poucos dias depois, sua irmã, Inês, veio lhe fazer companhia, imbuída do mesmo ideal. Alguns anos após, sua mãe, Hortolana, juntamente com sua terceira filha Beatriz, seguiu Clara, indo morar com ela no conventinho de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.

Extraído de diversos textos publicados no site: www.franciscanos.org.br

que também estão no livro francisco entre os seculares do frei Egberto Prangenberg O.F.M

Oração antes do oficio divino

13 de maio de 2010

Deus onipotente, eterno, justo e misericordioso, concede-nos a nós, miseráveis, que por ti façamos o que sabemos que tu queres, e sempre queiramos o que te apraz,
para que, interiormente purificados, interiormente alumiados e abrasados pelo fogo do Espírito Santo, possamos seguir os passos de teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo,
e mediante somente a tua graça, chegar até ti, ó Altíssimo, que, em Trindade perfeita e em simples Unidade, vives e reinas e tens toda a glória, ó Deus onipotente, por todos os séculos dos séculos.
Amem.